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Lindolfo Pires é delatado no âmbito da Operação Calvário

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O Deputado Estadual Lindolfo Pires Neto (Podemos) foi duplamente delato pelos colaboradores Bruno Donato e Waldson Dias de Sousa em depoimentos de colaboração premiada que fundamentaram, na manhã desta terça-feira (04), a deflagração da 11ª e 12ª fases da Operação Calvário, denominada de “Origem”.

De acordo com a representação criminal do Ministério Público da Paraíba, Bruno Donato, ex-assessor jurídico da Secretária de Saúde Estado, em suas autodeclarações de colaboração premiada, contextualiza que no ano de 2012, o Deputado Estadual Lindolfo Pires, a pedido do empresário Pietro Harley Dantas Felix, teria procurado por várias vezes ele (Bruno) e o Secretário de Saúde Waldson de Sousa para saber do andamento do Contrato nº 82/2012, decorrente de um processo inexigibilidade de licitação nº 25/2012.  Segundo relatos delator, o atraso da publicação do referido contrato, que tinha como objeto a aquisição de kits educativos de combate à dengue, estava atrasando o pagamento de propina para ORCRIM Girassol, e que Lindolfo Pires havia sido acionado por Pietro Harley, arrecadador de propinas, para pressionar a publicação do referido documento.

Veja Trecho da delação:

Já o ex-secretário Waldson Sousa, também em depoimento de colaboração premiada, foi interpelado pelo Promotor de Justiça e Coordenador do GAECO, Otavio Celson Gondim Paulo Neto, sobre a ligação, participação e interesse do deputado sousense nos contratos fraudulentos e com as empresas envolvidas no referido esquema de corrupção. Em sua delação, Wadson disse que deputado Lindolfo Pires interagia sobre o assunto com Edvaldo Rosas, ex-presidente do PSB, e Pyetro, empresário, que foram presos nesta manhã.
Mais um trecho da delação:
Nos pedidos finais da representação criminal, que fundamentou a “Origem”, o deputado Lindolfo Pires, possivelmente, só não virou réu e alvo mandados de busca apreensão e/ou prisão, porque os promotores constataram que o possível ato ilícito penal que poderia ser atribuído ao Deputado (Art. 312 do código penal – Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública), devido ao tempo, já está prescrito.
Sobre a “operação Calvário”
A Operação Calvário tem por objetivo investigar a atuação de uma organização criminosa instalada no Governo do Estado e em prefeituras da Paraíba, desde o exercício de 2010, composta por organizações sociais, empresas comerciais e agentes públicos e políticos, que, por meio de contratações fraudulentas, obtinha recebimentos de propinas para se manter no poder.
A Origem têm por objetivo investigar contratos para aquisição de material didático (livros), por parte das Secretarias de Educação do Estado, no ano de 2014, e do Município de João Pessoa, no ano de 2013, nos valores de R$ 4.499.995,50 e R$ 1.501.148,60, respectivamente, sendo estimado um prejuízo ao erário, no montante de aproximadamente R$ 2,3 milhões em razão do pagamento de propinas a agentes públicos e políticos.
A operação é conjunta foi realizada entre o grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público do Estado da Paraíba (Gaeco-MPPB), Controladoria-Geral da União (CGU), os Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público Federal (GAECO-MPF), do Distrito Federal (GAECO-DF), de Santa Catarina (GAECO-SC) e de São Paulo (GAECO-SP), o Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB), a Secretaria de Estado da Fazenda da Paraíba (SEFAZ-PB), e as Polícias Civil e Militar da Paraíba.

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