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Lula assina termo de compromisso e anuncia criação de Ministério Indígena caso seja eleito presidente pela 3ª vez

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Brasília – Discursando para mais de cinco mil indígenas de várias etnias do Brasil que acampam desde 4 de abril na área externa da Fundação Nacional das Artes (Funarte), em Brasília, o ex-presidente Lula assinou um termo de compromisso com os povos originários, acatando todos os pontos de reivindicações do movimento, e adiantou a criação de um Ministério voltado para discutir as questões indígenas, caso vença as eleições em outubro:

– Vocês me deram uma ideia: se nós já fizemos o Ministério da Igualdade Racial, se a gente criou o Ministério dos Direitos Humanos, o ministério da Pesca… porquê não podemos fazer um Ministério para discutir as questões indígenas? Agora não será um branco como eu ou uma branca como a Gleisi que vai comandar esse ministério, se preparem porque será um indígena como vocês”, afirmou para uma plateia em êxtase.

Lula foi cobrado por diversas liderança do movimento indígena a criar uma agenda de demarcações de territórios, principal pauta dos povos originários. Uma carta aberta ao ex-presidente foi lida durante o evento e logo em seguida assinada por ele num ato simbólico. A presença do líder petista na 18ª edição do Acampamento Terra Livre foi definida na véspera e provocou um alvoroço entre os indígenas e jornalistas que fazem a cobertura do acampamento. O ex-presidente ouviu cobranças, pedidos, ganhou presentes e levou até um puxão de orelha da liderança indígena Sônia Guajajara, pré-candidata a deputada federal.

Um dos objetivos do ATL 2022 é chamar a atenção da sociedade para a necessidade da eleição de representantes dos povos originários para cargos políticos. A ideia, segundo Guajajara, é reagir aos ataques da bancada ruralista:

– Vamos lançar uma bancada do cocar, uma bancada indígena, para destituir de vez a bancada ruralista. Para que não haja mais Belo Monte em seu governo, presidente. Não precisamos dessas hidrelétricas”, disse a indígena olhando para o ex-presidente, que apenas sorriu, enquanto o público aplaudia a liderança maranhense.

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada na bacia do rio Xingu, norte do Pará, foi construída durante o governo Lula e recebeu muitas críticas de ativistas ambientais e do próprio movimento indígena, vítima de fazendeiros e garimpeiros na região. Na sua vez de falar, durante quase 20 minutos, o ex-presidente não abordou o tema.

O discurso de Lula foi voltado exclusivamente para as pautas indígenas. Em pelo menos dois momentos, antes da fala do ex-presidente, foi possível ouvir gritos isolados de “Lula sim, Alckmin não”.

Ainda sobre o futuro ministério Indígena, num eventual governo petista, Lula se adiantou às críticas que deve receber por criar mais uma pasta na Esplanada dos Ministérios:

– Eles vão dizer que gastamos muito, que é preciso diminuir os ministérios, mas o que eles não querem é que a sociedade esteja participando ativamente. Quando eu era presidente da República, fiz 74 conferências, inclusive uma conferência indígena. O presidente não só não sabe tudo como não tem como saber tudo. Por isso tem que ouvir as pessoas para saber como fazer. Quero que vocês saibam que vou voltar mais sabido, com mais experiência, e só vou voltar por uma causa: pra fazer mais e melhor do que nós já fizemos. Tiraram a Dilma, inventaram uma história para me colocar na cadeia e nós estamos cá de novo: não somos seres humanos comuns, temos ideias, temos causa, e enquanto um ser humano tiver uma causa, será invencível”
Revogaço

Apontado por todas as pesquisas como líder isolado na corrida presidencial, com chances reais de vencer no 1º turno, Lula não citou o nome do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) nenhuma vez em seu discurso. Mas alfinetou o adversário, assumindo também o compromisso de criar o “dia do revogaço”, ação proposta pela primeira indígena eleita para a Câmara dos Deputados, a indígena Joênia Wapichana (Rede/RR):

– É preciso criar o dia do revogaço e tudo o que foi decreto será revogado imediatamente, a gente não pode permitir que aquilo foi conquista do sacrifício de vocês seja tirado por decreto para dar direito aqueles que acabaram com nossa floresta”, afirmou.

A presença de Lula no ATL foi marcada por vários compromissos e promessas. Uma delas, encheu os olhos dos povos originários:

– Ninguém nesse pais fará qualquer coisa em terra indígena sem que haja a concessão de vocês. Nós já provamos que não é possível queimar uma árvore para criar uma cabeça de gado ou plantar soja. Direito à vida é ter o direito de comer, à saúde de qualidade, é respeitar a cultura de vocês. Vocês não são crianças para serem tuteladas”, disse.