
Celso Fernandes: O Filho de Uiraúna que Está Transformando a Educação Pública no Brasil
Com uma trajetória de superação e visão empreendedora, o CEO da Kaizen Educação fala sobre os projetos que vêm impactando escolas em todo o país com inclusão, cultura e inovação pedagógica. Sou mineiro de Montes Claros, mas foi no coração do Nordeste que encontrei meu lugar no mundo. A Paraíba me acolheu com generosidade e, desde então, aprendi a admirar não só a beleza do seu povo, mas a força daqueles que saem daqui para transformar o Brasil com trabalho, coragem e visão. Hoje, meu entrevistado é um exemplo vivo disso. Falo de Celso Fernandes, um filho da querida cidade de Uiraúna, que saiu de casa aos 20 anos em busca de um futuro melhor no Rio de Janeiro — e encontrou muito mais do que sucesso profissional: encontrou um propósito. Celso venceu com esforço, persistência e, como ele mesmo diz, por meio da autoinstrução. Um autodidata inquieto, que agora dedica sua trajetória à missão mais transformadora que alguém pode abraçar: a Educação. E é com suas próprias palavras que começamos esta conversa: “A verdadeira mudança acontece pela Educação. A vontade nos leva até a metade do caminho; o restante é conquistado com estratégia e dedicação.” Hoje à frente da *Kaizen Educação, Celso comanda projetos que têm impactado escolas públicas em todo o país — como as coleções *Inclusão, Raízes, Prepara-SAEB e o projeto Escola Sem Bullying — levando inclusão, cultura, sensibilidade e tecnologia para dentro da sala de aula. Cada coleção, como ele costuma dizer, é uma semente. Uma semente de futuro. Nesta entrevista exclusiva para a TV Interativa, converso com esse uiraunense de espírito gigante, que escolheu retribuir tudo o que aprendeu, criando pontes para que milhares de jovens tenham acesso a uma educação mais justa e verdadeira. ENTREVISTA COMPLETA Evaldo Montes:Celso, que alegria poder conversar com você. Vamos começar do início: por que a educação? O que te levou a investir justamente nesse setor? Celso Fernandes:Obrigado, Evaldo. Para mim, essa escolha foi natural. A educação foi o que me salvou. Vindo de Uiraúna, uma cidade pequena, com recursos limitados, eu não tive acesso fácil a boas escolas. Tive que buscar o conhecimento por conta própria, na base da curiosidade e da autoinstrução. Venci porque insisti em aprender. E hoje, com mais estrutura e visão, sinto que é minha responsabilidade abrir caminhos mais fáceis para os jovens que estão começando agora. A educação muda destinos, e eu sou prova disso. Cada uma das nossas coleções é uma semente que a gente planta em solo fértil: as escolas públicas do Brasil. Evaldo Montes:Vamos falar sobre a coleção Inclusão, que tem ganhado espaço e reconhecimento. O que motivou a criação desse material? Celso Fernandes:O projeto Inclusão nasceu de uma inquietação. Muitos alunos com deficiências ou necessidades especiais estavam sendo deixados para trás. O sistema oferecia o espaço físico, mas não oferecia os recursos necessários para o aprendizado. Criamos uma coleção com linguagem acessível, recursos visuais, atividades adaptadas e propostas que estimulam a empatia. A ideia é garantir que todos tenham acesso ao conteúdo, com dignidade e equidade. A inclusão não pode ser só um discurso — ela precisa estar no material, na prática pedagógica, na formação dos professores. Evaldo Montes:Você também coordena o projeto Raízes, que tem um forte vínculo com a cultura local. O que representa essa coleção para você? Celso Fernandes:A Raízes é uma das coleções mais emocionantes que já desenvolvemos. A escola precisa conversar com a vida do aluno — e nada faz isso melhor do que a cultura local. Com esse projeto, cada município tem seu próprio material, com a história da cidade, personagens importantes, aspectos culturais e geográficos. Isso fortalece a identidade dos estudantes e valoriza o que eles são. Quando o aluno se reconhece no livro, ele se sente pertencente. Ele entende que aprender é também se conectar com suas origens. Evaldo Montes:E como a coleção Prepara-SAEB entra nesse conjunto de ações da Kaizen? Celso Fernandes:O Prepara-SAEB é um apoio estratégico para as escolas. Sabemos da importância dos resultados no SAEB e no IDEB, que são indicadores nacionais da educação. Essa coleção ajuda as redes de ensino a se prepararem melhor para essas avaliações, com foco nos descritores, simulados, atividades direcionadas e orientações para os professores. Mas sempre mantendo o equilíbrio — não é uma preparação “mecânica”, é uma preparação consciente. Queremos bons resultados, mas queremos, acima de tudo, formar cidadãos completos. Evaldo Montes:Celso, recentemente a Kaizen lançou o projeto Escola Sem Bullying – Um Novo Caminho para a Educação, em parceria com a Dra. Tania Castelliano. Fale um pouco sobre essa proposta tão necessária. Celso Fernandes:Esse projeto é, sem dúvida, um dos mais urgentes e sensíveis que estamos levando às escolas. O Escola Sem Bullying surgiu para enfrentar de frente uma realidade silenciosa, mas devastadora: o bullying. Trabalhamos com um livro paradidático para os alunos, guias pedagógicos para os professores e materiais de apoio baseados em arte, oficinas e rodas de conversa. Tudo isso com linguagem acessível e abordagem respeitosa, dentro das diretrizes do ECA. O objetivo é promover empatia, autoestima, respeito às diferenças e o fortalecimento das relações interpessoais. Em municípios onde o projeto foi implantado, já observamos mudanças reais no ambiente escolar. Além disso, ele pode ser ampliado para discutir, de forma pedagógica, temas como abuso infantil e violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha. É um novo caminho para a educação, onde a escuta, o acolhimento e a prevenção fazem parte do currículo. Evaldo Montes:Celso, para encerrar: o que te move, de verdade, nessa caminhada? Celso Fernandes:O que me move é saber que posso devolver um pouco do que recebi. Eu venci porque tive vontade, disciplina e encontrei oportunidades. Nem todos têm esse caminho. Meu sonho é que a escola pública brasileira ofereça o melhor — e que o aluno não precise vencer o sistema para conseguir aprender. A educação é o que constrói um país justo, forte e consciente. E eu quero continuar sendo parte disso, plantando sementes por onde eu passar. Evaldo Montes:Parabéns, Celso. Que


