Eduardo Bolsonaro exibe Dark Horse nos EUA enquanto PF investiga milhões de Vorcaro ligados ao filme
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) participou, por videoconferência, de uma conferência realizada em Las Vegas, nos Estados Unidos, onde defendeu a exibição do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A participação ocorreu em 11 de setembro, durante o Storm Summit, evento que reuniu nomes da direita norte-americana. Ao comentar as controvérsias envolvendo a produção, Eduardo afirmou que, apesar das acusações levantadas nos últimos meses, “não conseguem provar nada” e atribuiu as críticas à proximidade das eleições brasileiras.
A declaração ocorreu enquanto a Polícia Federal investiga justamente a origem, o destino e a gestão de recursos destinados ao longa. Documentos da investigação apontam que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria enviado ao menos US$ 12,3 milhões, aproximadamente R$ 64 milhões, para o fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. O fundo era administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, e a PF apura a finalidade dos recursos e o papel de diferentes envolvidos nas operações.
Segundo a PF, mensagens analisadas na investigação indicam que Eduardo teria orientado como parte dos recursos deveria ser movimentada nos Estados Unidos. A apuração também examina a possibilidade de que valores relacionados ao financiamento do filme tenham custeado despesas do ex-deputado no país. A Procuradoria-Geral da República classificou os aportes investigados como possíveis recursos ilícitos, mas as investigações ainda buscam estabelecer a destinação final do dinheiro e eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.
Durante sua participação no evento, Eduardo não mencionou Vorcaro ao defender o filme, mas direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ele fez referência ao contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório da esposa do ministro e o Banco Master e apresentou sua própria interpretação sobre a relação entre o magistrado e o banqueiro. A situação envolvendo o contrato é objeto de controvérsia e investigações, e as acusações feitas por Eduardo devem ser tratadas como declarações do ex-deputado, não como fatos comprovados.
O episódio ocorre em meio a novas revelações sobre a estrutura financeira de Dark Horse. Documentos obtidos pela PF apontam que os produtores projetavam receitas de até US$ 45 milhões no cenário mais conservador e chegaram a trabalhar com estimativas ainda maiores, enquanto os aportes identificados de Vorcaro somaram US$ 12,3 milhões. A investigação também identificou que o Havengate permaneceu inativo durante anos antes de ser reativado em 2025 para receber recursos relacionados ao projeto cinematográfico.
Ao participar do evento norte-americano, Eduardo também defendeu maior aproximação entre Brasil e Estados Unidos em áreas como segurança, combate ao crime organizado e exploração de minerais estratégicos. O ex-deputado criticou a política externa do governo Lula e afirmou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro adotaria outra orientação nas relações com Washington. A participação no Storm Summit coloca novamente o filme e as relações financeiras investigadas pela PF no centro do debate político, enquanto as autoridades continuam apurando a origem e a destinação dos recursos.
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