O governo Lula desembolsou cerca de R$ 21 milhões em anúncios no Instagram e no Facebook entre janeiro e meados de maio deste ano. Os dados constam na biblioteca de anúncios da Meta.
De acordo com informações apuradas pelo Estadão, o valor representa quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando o governo gastou aproximadamente R$ 11,45 milhões com publicidade nas plataformas.
Campanhas destacaram obras, PAC e redução de impostos
Parte significativa dos anúncios promoveu ações do governo em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, que concentram os maiores colégios eleitorais do país.
Além disso, o governo também impulsionou conteúdos sobre entregas no Rio Grande do Sul, atingido por enchentes históricas em 2024, e em estados como Ceará e Pernambuco.
O segundo maior gasto envolveu a divulgação do Novo PAC, principal programa de investimentos do terceiro mandato de Lula. Segundo os dados, o governo aplicou cerca de R$ 3,3 milhões em anúncios ligados ao programa.
Fim da escala 6×1 e IR também receberam impulsionamento
O governo ainda destinou aproximadamente R$ 2,85 milhões para divulgar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
Outra campanha de destaque envolve o projeto que prevê o fim da escala 6×1. A gestão federal gastou cerca de R$ 2,1 milhões para impulsionar anúncios sobre a proposta.
Uma das peças publicitárias afirma que mais de 14 milhões de brasileiros poderão deixar a escala 6×1 caso a medida seja aprovada pelo Congresso Nacional.
Combustíveis e segurança pública também aparecem entre maiores gastos
O governo também investiu recursos em campanhas sobre segurança pública, com anúncios relacionados ao combate ao crime organizado, exploração sexual infantil e endurecimento de penas para crimes como roubo e golpes.
Além disso, a gestão federal gastou cerca de R$ 5,7 milhões em publicidade sobre medidas adotadas para reduzir os impactos da alta dos combustíveis em meio à crise envolvendo o Irã.
As campanhas também incentivaram consumidores a denunciarem aumentos considerados abusivos nos postos de combustíveis.
Especialista vê relação com calendário eleitoral
Para o Estadão, o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getulio Vargas, detalhou que o crescimento dos gastos publicitários acompanha o calendário eleitoral.
Para ele, seria necessária uma fiscalização mais rigorosa sobre o aumento das despesas com propaganda institucional em anos de eleição.
Pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governo pode divulgar programas, obras e campanhas até 4 de julho. Após essa data, a legislação restringe publicidade institucional, salvo em casos específicos previstos pela Justiça Eleitoral.
98 FM Natal