RN: Prefeito é preso em flagrante ao tentar ocultar dinheiro e celular durante operação

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu em flagrante, nas primeiras horas desta quarta-feira (28), o prefeito de Ielmo Marinho, Fernando Batista Damasceno (MDB), conhecido como Fernando de Canto de Moça, durante a Operação Securitas, deflagrada para investigar uma organização criminosa suspeita de intimidação de adversários políticos, com possível participação de agentes com mandato e de um policial militar. Segundo a corporação, o gestor é apontado como líder do grupo e foi detido por atrapalhar a investigação ao tentar ocultar provas, arremessando dinheiro e um celular para fora da residência no momento do cumprimento das ordens judiciais. As diligências ocorreram em Ielmo Marinho, São Gonçalo do Amarante, Natal e Parnamirim, na Grande Natal, com o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão. O objetivo é reunir novos elementos probatórios para esclarecer, principalmente, suspeitas de porte ilegal de arma de fogo, constituição de milícia privada e organização criminosa, além de identificar outros possíveis envolvidos. Os mandados miraram a apreensão de documentos, valores, armas e dispositivos eletrônicos, incluindo aparelhos celulares. As investigações tiveram início em 2023 e, de acordo com a Polícia Civil, apontam que o grupo criminoso teria núcleo armado e capilaridade político-administrativa, estruturado para usar a violência e a intimidação no ambiente político local. Entre os investigados, além do prefeito, estariam ocupantes de mandato legislativo e um policial militar. Um dos fatos que impulsionaram a apuração foi uma ocorrência em Ielmo Marinho, quando houve notícia de que homens fortemente armados estariam no interior da Câmara Municipal, supostamente para fazer segurança privada de um parlamentar e intimidar opositores. Na ocasião, foi apreendido um arsenal com armas e munições, incluindo calibres restritos .40 e .45, além de outros materiais. A Polícia Civil informou que foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais tiveram como foco a apreensão de documentos, valores, armas e dispositivos eletrônicos, incluindo aparelhos celulares. Tribuna do Norte

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TRE-RN confirma cassação de prefeito e vice; município terá governo interino

O Tribunal Regional Eleitoral do RN (TRE-RN) confirmou, nesta terça-feira (27), a cassação do prefeito de Itaú, André Júnior, e do vice, Paulinho de Enoque. Por decisão unânime, a Corte rejeitou os embargos de declaração apresentados pela defesa, mantendo a perda imediata dos mandatos por irregularidades graves na eleição. O relator do caso, juiz Daniel Maia, apontou que houve abuso de poder e condutas proibidas durante o pleito, justificando a medida extrema. Com a decisão unânime, a sentença se torna definitiva no estado e será cumprida nos próximos dias. Com a confirmação da cassação, André Júnior e Paulinho de Enoque devem se afastar imediatamente da prefeitura. A Câmara Municipal de Itaú será oficialmente notificada pelo TRE-RN e assumirá o comando do município de forma provisória, garantindo a continuidade dos serviços básicos da cidade. Governo interino O presidente da Câmara terá a responsabilidade de conduzir a administração municipal até a realização de uma eleição suplementar, que será convocada pela Justiça Eleitoral para escolher os novos representantes. Defesa pode recorrer ao TSE A defesa do prefeito e do vice deve recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, buscando uma liminar para suspender o afastamento. O objetivo é permitir que os dois retornem temporariamente aos cargos enquanto o caso é analisado na instância máxima, embora especialistas alertem que liminares em situações como essa são raras. O TRE-RN reforça que a decisão sobre a cassação é definitiva no estado e deve ser cumprida integralmente até que o TSE se pronuncie. O processo reforça a atuação da Justiça Eleitoral na fiscalização das eleições e na punição de irregularidades que comprometam a lisura do pleito. A população de Itaú agora se prepara para participar de uma nova eleição, definindo quem assumirá o comando da cidade e encerrando o período de instabilidade política. BG/Novo Notícias

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PF e CGU deflagram operação contra fraudes em contratos da saúde em cidades do RN

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta terça-feira (27), uma operação para apurar um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios relacionados à área da saúde. No Rio Grande do Norte, estão sendo cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, além da aplicação de medidas cautelares e patrimoniais. A Operação foi deflagrada nas cidades de Mossoró, Natal, Parau, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha. Segundo a PF, a Prefeitura do Natal não faz parte da investigação. Ainda não há confirmações oficiais da Polícia Federal sobre o envolvimento das Prefeituras das demais cidades. De acordo com as investigações, há indícios de irregularidades em contratos para fornecimento de insumos à rede pública de saúde. As apurações envolvem empresas sediadas no Rio Grande do Norte que mantinham contratos com administrações municipais de diferentes estados. Auditorias realizadas no curso da investigação apontaram falhas na execução contratual, como suspeitas de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e prática de sobrepreço. Os investigados poderão responder por crimes relacionados ao desvio de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas. Até a última atualização, a Polícia Federal e a CGU não divulgaram mais detalhes sobre os valores investigados. Confira imagens fornecidas pela PF: Tribuna do Norte

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Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2% a partir desta terça

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (26) que vai reduzir em 5,2% o preço da gasolina A vendida às distribuidoras. O novo preço passa a valer a partir desta terça-feira (27). A gasolina A é o combustível puro que sai das refinarias e é misturado ao etanol pelas distribuidoras, para que possa ser vendido ao consumidor final nos postos. Com a redução, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará a ser, em média, de R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14. No comunicado que anunciou a mudança de valores, a empresa informa que, desde dezembro de 2022, a queda no preço da gasolina chega a R$ 0,50 ─ um recuo de 26,9%, já considerando a inflação do período. A última mudança no preço do combustível havia sido em 21 de outubro de 2025, quando ficou 4,9% mais barata. O movimento da Petrobras deve representar alívio na inflação do país, uma vez que a gasolina é o produto com maior peso no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que apura a inflação oficial. Apesar de a Petrobras ser a maior produtora do combustível no país, o preço da gasolina nas bombas não depende apenas da estatal. Após o produto ser vendido às distribuidoras, sofre influências de outros custos, como o frete, mistura com o etanol, cobrança de impostos e a margem de lucro dos postos. Mais PB/Agência Brasil

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Após esposa denunciar agressões, cantor João Lima tem prisão preventiva decretada

O cantor João Lima teve a prisão preventiva decretada neste domingo, 25, após sua esposa, a médica e influenciadora Raphaella Brilhante, divulgar um vídeo em que aparece sendo agredida pelo marido. Eles estão casados há dois meses. A vítima denunciou as agressões à Polícia Civil e obteve uma medida protetiva. A prisão preventiva foi expedida pelo plantão judiciário do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e assinada pelo juiz Bruno César Azevedo Isidro. Até a publicação deste texto, a reportagem do Estadão não havia localizado a defesa do cantor. O espaço segue aberto a manifestações. Entenda o que aconteceu A história ganhou força no sábado, 24, quando Raphaella divulgou as imagens. No vídeo, gravado a partir de câmeras internas da casa do casal, a médica aparece sendo agredida pelo cantor, que é neto de Pinto do Acordeon, um dos principais nomes da música paraibana, falecido aos 72 anos em 2020. Aos seus mais de 700 mil seguidores no Instagram, Raphaella escreveu: “O que estou atravessando dói em um lugar que não tem nome. Não é uma dor simples. É uma dor que atravessa o corpo, a alma, a história”. Segundo os autos do processo, as agressões ocorreram no dia 18 de janeiro. A vítima “teria sido agredida por socos, apertos na mandíbula e amordaçamento para silenciar seus gritos”. Em declarações sobre o episódio, Raphaella afirmou que João Lima teria ainda ameaçado a sogra dizendo que iria “acabar com a vida dela caso a médica não reatasse o relacionamento”. Raphaella registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de João Pessoa. Sua advogada, Dayane Carvalho, afirmou que as agressões começaram durante a lua de mel do casal, em novembro de 2025, e que antes do casamento nenhum episódio de agressão havia ocorrido. Tribuna do Norte/Estadão Conteudo

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Transplante de medula óssea cresce 12,72% no RN em 2025

O número de transplantes de medula óssea cresceu 12,72% no Rio Grande do Norte entre 2024 e 2025, de 165 para 186, segundo dados levantados pela Central Estadual de Transplantes do RN, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Para a nefrologista Rogéria Nunes, coordenadora da Central, o aumento pode ser explicado pela inclusão de mais unidades de saúde onde o procedimento é realizado. De 2019 – quando houve 97 procedimentos – a 2025, o número de transplantes de medula quase dobrou. “Aumentamos o número de hospitais que fazem transplante de medula. Antes era só o Hospital Rio Grande, e a partir do ano passado começou também na Liga [Contra o Câncer] e na [Casa de Saúde] São Lucas. E também houve aumento do número de leitos para o transplante nesses hospitais”, explica Nunes. Somente o Hospital Rio Grande responde por 154 desses procedimentos em 2025, segundo informou em comunicado à imprensa. Entre 2017 e 2025, a unidade realizou 949 transplantes. Parcela significativa desse número foi realizada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, 16 pessoas aguardam na fila para receber um transplante de medula óssea no RN. Rogéria Nunes explica que existem dois tipos de doadores: os aparentados, que são familiares que doam para outra pessoa da família com leucemia ou mieloma; e o doador cadastrado no banco nacional de medula óssea, por meio do site do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Para ela, o gesto de doação salva vidas. “É como se fosse uma loteria. [A pessoa que precisa de transplante] tem que encontrar uma pessoa que seja muito compatível. Quanto mais pessoas estiverem registradas no Redome, maior a probabilidade de encontrar alguém compatível e essa medula chegar a tempo”. No RN, o doador tem sua amostra de sangue coletada no Hemonorte. Nunes detalha que, ao ser identificado como compatível, o doador passa por uma punção na medula óssea sob anestesia local. O material coletado é processado e infundido no receptor como uma transfusão de sangue. O sistema é nacional, permitindo que um doador de Natal ajude um paciente em São Paulo, por exemplo. Ainda em vida, a pessoa pode doar órgãos e tecidos como a medula óssea e o rim. É essencial buscar orientação profissional para conhecer o procedimento e realizá-lo de modo seguro. A autorização da família é necessária no caso de doação de múltiplos órgãos, quando o doador morreu. O número total de transplantes de órgãos foi de 426 no estado em 2025. O transplante de medula liderou os procedimentos, seguido por transplante de córnea (183) e rim (56). Houve um transplante de coração e nenhum de pele. Já em 2024, esses números foram, respectivamente: 165, 198, 60, um e zero. O aumento entre 2019 e 2025 foi de 36,53% – de 312 para 426. Rosali Cortez, presidente da associação Hatmo-RN (Humanização e Apoio ao Transplantado de Medula Óssea do Rio Grande do Norte), define o ato como “a diferença entre a vida e a morte”. Para ela, “doar medula óssea é imitar Jesus, que nos salvou derramando todo o sangue. E a gente derrama só 10% para salvar uma vida, que é o máximo que a gente pode doar”. A Hatmo-RN é uma associação beneficente que acolhe, apoia e sustenta pacientes e familiares durante o processo do transplante de medula óssea. Cortez explica que a entidade é formada por transplantados e por pessoas voluntárias. “Apoiamos pacientes encaminhados para o transplante. O hospital encaminha para a gente esse paciente, e damos o apoio que eles precisam”. Para dar esse suporte, a Hatmo-RN conta com duas casas de apoio para hospedar os transplantados que vêm de outras cidades, prepara enxovais e entrega cesta básica contendo itens essenciais para quem faz o transplante. Além disso, tem uma equipe multidisciplinar para apoiar os pacientes e suas famílias. A associação existe há 18 anos, e nesse período Cortez vê avanços na conscientização e na publicidade do ato de doar, o que contribuiu com o aumento dos transplantes. “Tem aumentado o número de cadastros de doadores, o número de transplantes e a sobrevida”. Tribuna do Norte

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Sesap alerta sobre risco de intoxicação com consumo de peixes no RN

Com o aumento do consumo de peixes no período do verão e com a proximidade do Carnaval, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) emitiu nota técnica alertando profissionais de saúde, pescadores, comerciantes e a população em geral sobre os riscos da intoxicação por ciguatera no litoral do Rio Grande do Norte. A orientação é voltada, principalmente, para áreas de praias e regiões com recifes e corais. De 2022 a 2025, a Saúde registrou 77 casos de intoxicação. A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados por ciguatoxinas, substâncias produzidas por microalgas presentes em ambientes recifais. Essas toxinas passam dos peixes menores para os de médio e grande porte, especialmente os carnívoros, e podem provocar sintomas que vão de distúrbios gastrointestinais a complicações neurológicas no ser humano. Em vídeo divulgado pela Sesap, a coordenadora de vigilância em saúde, Diana Rêgo, destaca que a recomendação da pasta é que o consumo do peixe do tipo arabaiana seja evitado. “Isso se deve pela toxina que esse peixe acumula com o passar do tempo”, justifica. A coordenado ainda tranquiliza a população, e reforça que a vigilância seguirá acontecendo para o monitoramento da ciguatoxina no litoral do RN. Após a intoxicação pelo consumo da toxina, os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo e incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dor de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca. Em alguns casos, os efeitos podem persistir por semanas ou meses. Entre as recomendações da Sesap estão a procura imediata por atendimento de saúde ao surgirem sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas; a identificação da espécie ingerida; e a preservação de sobras do peixe, devidamente acondicionadas e congeladas, para possível análise pela Vigilância Sanitária. A orientação também é evitar o consumo de peixes associados a relatos de intoxicação, sobretudo quando a procedência for desconhecida. Segundo a Sesap, as ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por processos como cozimento, congelamento, salga ou defumação. Mesmo após o preparo, a toxina permanece ativa no pescado. As maiores concentrações costumam estar na cabeça, vísceras e ovas dos peixes contaminados. Não há tratamento específico ou antídoto para a ciguatera. O manejo dos casos é feito com medidas de suporte, como hidratação, analgesia, controle das náuseas e acompanhamento clínico. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (Ciatox-RN) pode ser acionado para orientações e esclarecimentos. O serviço funciona 24 horas pelos telefones 0800 281 7005 e WhatsApp (84) 98883-9155. Casos no RN No Rio Grande do Norte, o primeiro surto confirmado de ciguatera foi registrado em 2022, atingindo dez pessoas de uma mesma família após o consumo do peixe conhecido como bicuda (barracuda). Entre fevereiro e maio de 2025, foram identificados três surtos, com 18 pessoas expostas, associados ao consumo de arabaiana, bicuda e dourado. Atualmente, cinco surtos estão em fase de investigação epidemiológica, envolvendo 36 pessoas. Entre 2022 e 2025, a série histórica contabiliza 77 casos notificados de intoxicação exógena, incluindo surtos confirmados e eventos ainda sob investigação, com registros envolvendo espécies como barracuda, cioba, guarajuba, arabaiana e dourado, além de confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras. Tribuna do Norte

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RN confirma primeiro caso de fungo resistente a múltiplas medicações

O RN confirmou nesta quinta-feira (22) o primeiro caso do chamado “superfungo” Candida auris no estado, um microrganismo fúngico resistente a múltiplos medicamentos e considerado uma grave ameaça à saúde pública global. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), o caso foi registrado em um paciente internado no Hospital Central Coronel Pedro Germano, em Natal. O paciente, um homem que já estava hospitalizado para tratamento de outra enfermidade, permanece em isolamento de contato sob cuidados médicos. A Sesap informou que equipes hospitalares adotaram imediatamente protocolos reforçados de prevenção para reduzir o risco de transmissão a outros pacientes e profissionais de saúde, e as vigilâncias epidemiológica e sanitária do Estado também iniciaram o monitoramento e rastreamento de contatos, com foco na detecção precoce de possíveis novos casos. Segundo a infectologista Eveline Pipolo, Candida auris é um fungo que ocorre exclusivamente em ambiente hospitalar, afetando principalmente pacientes com o sistema imunológico comprometido. “Para pessoas saudáveis, ele não representa um risco significativo. A maior preocupação é com pacientes debilitados”, explica. O fungo Candida auris — apelidado de “superfungo” por sua super-resistência — foi identificado pela primeira vez no Japão, em 2009, e, no Brasil, teve seu primeiro registro em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Desde então, tornou-se um desafio crescente para os sistemas de saúde, principalmente por sua capacidade de resistir a antifúngicos. De acordo com Eveline Pipolo, uma das principais características do fungo é a formação de biofilmes, estruturas que funcionam como uma espécie de “escudo” e dificultam a ação dos medicamentos. “Esses aglomerados de células tornam o tratamento mais difícil e também complicam a eliminação do fungo do ambiente, exigindo protocolos rigorosos de limpeza e desinfecção”, afirma. Além disso, o C. auris pode sobreviver por longos períodos em equipamentos médicos e objetos de uso hospitalar, facilitando a transmissão indireta. Por isso, a maior preocupação das autoridades de saúde é evitar que o fungo se espalhe dentro da unidade hospitalar ou alcance outros hospitais do Estado. O professor Rafael Bastos, da UFRN, explica que o termo “superfungo” está relacionado à resistência de Candida auris aos antifúngicos disponíveis. “Hoje, existem apenas três grandes grupos de medicamentos utilizados no tratamento: os azóis, os polienos e as equinocandinas. Candida auris costuma ser resistente a pelo menos um desses grupos, e, em alguns casos raros, a todos”, afirma. Apesar disso, Bastos destaca que a maioria das cepas identificadas no Brasil até agora apresentam sensibilidade aos medicamentos disponíveis. “Das mais de 115 amostras isoladas no país, apenas uma pequena parcela demonstrou resistência significativa. Ainda não sabemos qual variante foi identificada no Rio Grande do Norte, mas, em geral, as cepas brasileiras não estão entre as mais agressivas”, explica. O diagnóstico de Candida auris também é considerado um desafio. Métodos laboratoriais convencionais não conseguem diferenciá-lo de outras espécies menos perigosas do gênero Candida. No entanto, segundo o especialista, o Laboratório Central Dr. Almino Fernandes (Lacen-RN) dispõe atualmente de equipamentos modernos, capazes de identificar rapidamente o fungo. A confirmação final será feita por um laboratório de referência em São Paulo, conforme protocolo do Ministério da Saúde, processo que deve levar cerca de uma semana. No Brasil, o primeiro caso de Candida auris foi registrado na Bahia, em 2020, quando um surto hospitalar resultou na contaminação de 15 pacientes. Desde então, o fungo foi identificado em outros estados. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que, entre 2020 e novembro de 2025, foram registrados 22 surtos e 134 casos no país. Segundo Eveline Pipolo, a presença do fungo não deve levar a população a evitar hospitais. “O ambiente hospitalar já lida rotineiramente com patógenos multirresistentes. O que muda agora é a intensificação das medidas de controle, como limpeza mais frequente, uso de desinfetantes específicos, rastreamento de pacientes e profissionais”, afirma. A infectologista reforça que o risco para a população em geral é baixo e que a resposta rápida das autoridades é fundamental para evitar a disseminação. “A detecção precoce permite isolar o paciente, testar contatos próximos e impedir a disseminação do fungo. E é isso que faz toda a diferença”, conclui. Tribuna do Norte

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Agronegócio do RN tem maior índice de inadimplência do NE e 4º do Brasil

O Rio Grande do Norte registrou índice de 12,8% de inadimplência no agronegócio, o maior do Nordeste e o quarto maior entre todos os estados brasileiros. No mesmo levantamento, a média nacional ficou em 8,3%, e a do Nordeste, 9,7%. Os dados inéditos da Serasa Experian se referem ao terceiro trimestre de 2025 e mostram que Roraima (com 13,3%), Amazonas (14,3%) e Amapá (19,8%) foram as unidades federativas com maior percentual. Arrendatários e produtores de médio porte são os mais afetados no RN. Os dados indicam que 16,9% dos inadimplentes no agro potiguar no terceiro trimestre de 2025 eram produtores “sem informação de registro rural”, ou seja, arrendatários e participantes de grupos econômicos e/ou familiares; 14,7% eram produtores de médio porte. Além disso, 13,6% eram produtores de grande porte e 11% eram produtores de pequeno porte. José Álvares Vieira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), avalia que o cenário tem a ver com um conjunto de fatores econômicos e estruturais que vêm se acumulando ao longo do tempo e se intensificaram em 2025. “De um lado, há o impacto direto do ambiente macroeconômico, marcado por juros elevados, maior seletividade do sistema financeiro e aumento significativo dos custos de produção, especialmente insumos, energia e logística. Esse cenário pressiona o fluxo de caixa dos produtores e reduz a capacidade de honrar compromissos financeiros. No caso específico do RN, esses fatores são potencializados por características estruturais do agro estadual, como a elevada exposição a questões climáticas e a dependência de atividades com maior custo operacional — como a pecuária e a fruticultura irrigada”, explica. Vieira analisa que margens historicamente mais estreitas, sobretudo fora das cadeias mais capitalizadas e exportadoras, também contribuem para o cenário. “Embora o crescimento da inadimplência seja gradual, a persistência dessa trajetória acende um sinal de alerta, indicando a necessidade de medidas preventivas e estruturais para evitar o agravamento do endividamento rural no estado”, diz. De acordo com os dados da Serasa Experian, o índice no terceiro trimestre do ano passado cresceu 0,2 ponto percentual em comparação com o trimestre imediatamente anterior (que registrou 12,6% de inadimplência), e 0,8 ponto percentual no comparativo com igual período de 2024, com 12% dos negócios do agro inadimplentes no RN. Erivam do Carmo, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetarn), afirma que o cenário está ligado à estiagem em áreas estratégicas para o setor. “A questão da seca tem provocado um impacto muito grande. A falta de chuvas interfere nas safras e, quando o prazo para arcar com financiamentos chega ao fim, o produtor não consegue se organizar para quitar a dívida”, afirma Erivam. Falta de registro torna produtor “invisível” Segundo José Vieira, o grupo mais afetado pela inadimplência no agronegócio do estado sofre com a falta de registro rural formalizado, fator que torna o produtor “invisível” para o acesso a políticas públicas e ao sistema financeiro. “Arrendatários e integrantes de grupos familiares produzem, geram emprego e renda, mas frequentemente não dispõem de registro rural formalizado ou de garantias patrimoniais suficientes, o que dificulta o acesso a crédito com condições adequadas”, indica o presidente da Faern. Já os produtores de médio porte, de acordo com Vieira, enfrentam um desafio adicional: não se enquadram nas políticas voltadas aos pequenos, nem possuem a estrutura financeira, jurídica e de gestão dos grandes grupos econômicos. “Isso os torna mais vulneráveis a oscilações de mercado, eventos climáticos adversos e aumentos de custos, além de limitar a capacidade de renegociação em momentos de dificuldade”, falou. Vieira defende que, para reverter a situação no curto prazo, é fundamental que os produtores busquem renegociar as dívidas junto às instituições financeiras, utilizando os instrumentos disponíveis no crédito rural, como alongamento de prazos, reescalonamento de parcelas e adequação das operações às linhas compatíveis com o próprio perfil produtivo, a exemplo do Pronaf e do Pronamp. “Também é importante reforçar a organização produtiva por meio do cooperativismo, associações ou parcerias que ampliam o poder de negociação, reduzem custos e facilitam o acesso a assistência técnica e financeira”, disse Vieira. “A Faern atua de forma permanente junto ao sistema financeiro e ao Governo Federal para ampliar o acesso a crédito, reduzir vulnerabilidades e garantir condições mais estáveis para a sustentabilidade dos negócios rurais no RN”, acrescentou Vieira. Valor médio das dívidas no país Conforme levantamento da Serasa Experian, a inadimplência rural no Brasil está concentrada, principalmente, em dívidas contraídas com “instituições financeiras”, que alcançaram 7,3% no terceiro tri de 2025, com dívida média de R$ 130,3 mil. “O perfil do crédito rural, marcado por tíquetes mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco, mesmo em um cenário de taxa relativamente controlada”, explica Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa. A avaliação por idade revelou que a parcela da população rural acima dos 80 anos tem a menor taxa de inadimplência no Brasil. Por outro lado, aqueles com faixa etária de 30 a 39 anos foram os mais inadimplentes, marcando 12,7%. No recorte por regiões, o Sul do país (com 5,5%) marcou o menor percentual de inadimplência no trimestre analisado, seguido pelo Centro-Oeste (9,4%), Nordeste (9,7%) e o Norte (12,4%). Considerando-se o recorte das unidades federativas, o Rio Grande do Sul apresentou menor índice de inadimplência (5,1%), juntamente com Paraná (5,8%) e Santa Catarina (5,8%). Para o Indicador de Inadimplência do Agronegócio da Serasa Experian foram consideradas apenas dívidas vencidas com mais de 180 dias e até 5 anos somando pelo menos R$ 1.000, dentre aquelas que estão relacionadas ao financiamento e atividades do agro. Tribuna do Norte

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Prefeitura cancela Carnaval 2026 em cidade do interior do RN para enfrentar a seca

A Prefeitura de Paraú, no Oeste Potiguar, anunciou que não irá realizar o Carnaval de 2026 em razão das dificuldades financeiras enfrentadas pelo município. Em nota divulgada nesta segunda-feira (19), a gestão municipal informou que os recursos públicos estão sendo direcionados para ações de enfrentamento à seca, que afeta principalmente a população da zona rural. De acordo com o comunicado, publicado nas redes sociais, o município acumula um passivo de milhões de reais decorrente de débitos oriundos de processos judiciais, o que compromete de forma significativa a capacidade orçamentária e financeira da administração pública. Diante desse cenário, foi realizada uma análise da situação administrativa, financeira e social do município, que resultou na decisão de não promover a festa em 2026. Outro fator determinante citado pela prefeitura é a estiagem prolongada que atinge a região. Segundo a nota, o município tem sido obrigado a priorizar investimentos emergenciais, como a locação de carros-pipa e equipamentos, com o objetivo de garantir o abastecimento de água e prestar assistência à população rural, diretamente impactada pela falta de chuvas. A gestão municipal destacou ainda que a medida é baseada em princípios de responsabilidade fiscal, sensibilidade social e compromisso com o interesse público, priorizando ações consideradas essenciais e urgentes para atender às necessidades básicas da população neste período adverso. Leia a nota da Prefeitura de Paraú na íntegra: “NOTA OFICIAL A Prefeitura Municipal de Paraú informa à população que, após criteriosa análise da atual situação administrativa, financeira e social do Município, decidiu pela impossibilidade de realização do Carnaval 2026. A decisão se fundamenta, sobretudo, na recorrente crise financeira enfrentada pelo Município, que atualmente acumula um passivo de milhões de reais decorrente de débitos oriundos de processos judiciais, comprometendo de forma significativa a capacidade orçamentária e financeira da administração pública. Além disso, a região atravessa uma estiagem prolongada, que vem causando severos impactos à população rural. Diante desse cenário, o Município tem sido obrigado a priorizar investimentos emergenciais, como a locação de carros-pipa e de equipamentos, com o objetivo de garantir o abastecimento de água e prestar a devida assistência ao sofrido homem e mulher do campo, que dependem diretamente dessas ações para sua subsistência. A gestão municipal reafirma que esta medida, embora difícil, é pautada pela responsabilidade fiscal, sensibilidade social e compromisso com o interesse público, priorizando ações essenciais e urgentes que atendam às necessidades básicas da população neste momento adverso. Por fim, a Prefeitura de Paraú agradece a compreensão de todos e reforça seu compromisso em trabalhar incansavelmente para superar as dificuldades atuais, buscando equilíbrio financeiro e melhores dias para o município.” Tribuna do Norte

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