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Eleições de 2026 devem ser decididas pela rejeição, não pela ideologia, aponta pesquisador político

Eleições de 2026 devem ser decididas pela rejeição, não pela ideologia, aponta pesquisador político
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A eleição presidencial de 2026 tende a ser definida mais pelo nível de rejeição dos candidatos do que pela força de discursos ideológicos. A avaliação é do pesquisador político Emanoelton Borges, CEO da Alfa Inteligência, instituto especializado em estudos de comportamento eleitoral, que acompanha a evolução do voto no Brasil ao longo da última década.

De acordo com análises conduzidas pelo instituto, aproximadamente 32% a 33% do eleitorado brasileiro adota um comportamento de voto defensivo, optando pelo candidato considerado menos rejeitável, e não necessariamente por aquele com maior afinidade política. “A rejeição se consolidou como um elemento central da decisão eleitoral. Em disputas polarizadas e com percentuais apertados, ela passa a ser determinante para o resultado final”, afirma Borges.

O pesquisador observa que esse padrão se intensificou a partir das eleições de 2014 e se tornou ainda mais evidente no pleito de 2022, marcado por forte polarização e margem estreita de votos. Para ele, o cenário projetado para 2026 reforça a perda de centralidade das narrativas ideológicas tradicionais. “O eleitor tem demonstrado menor disposição para aderir a discursos rígidos e maior atenção a critérios como preparo, trajetória pública e capacidade de gestão”, avalia.

Outro fator destacado pelas pesquisas é a volatilidade do voto. Segundo Borges, a decisão do eleitor ocorre cada vez mais próxima do dia da eleição, com índices relevantes de indecisos persistindo até as semanas finais da campanha. “O ambiente de comunicação mudou profundamente. O excesso de informações, sobretudo nas redes sociais, dilui a atenção do eleitor e posterga o momento da escolha”, explica.

Nesse contexto, temas considerados mais concretos tendem a ganhar peso na avaliação dos candidatos. Segurança pública, histórico de desempenho em cargos anteriores e viabilidade de entrega das propostas aparecem entre os principais critérios associados à redução ou ao aumento da rejeição. “O eleitor que irá decidir a eleição está menos movido por engajamento emocional e mais orientado por uma lógica pragmática”, afirma Borges.

Para o pesquisador, compreender esse comportamento será decisivo para as estratégias eleitorais. “Em um cenário no qual uma parcela expressiva do eleitorado decide pelo critério da menor rejeição, vencer passa menos por mobilizar bases ideológicas fiéis e mais por não afastar o eleitor indeciso”, conclui.

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