Descoberta bactéria na urina que produz testosterona
Bactéria produz testosterona
Muitos tipos de câncer de próstata dependem de hormônios androgênicos, incluindo a testosterona, para crescer. É por isso que os tratamentos para a doença em estágio avançado frequentemente visam reduzir a produção de testosterona ou bloquear seus efeitos.
Agora, cientistas identificaram um participante inesperado na química dos androgênios: Uma bactéria do trato urinário humano é capaz de converter o precursor do esteroide DHEA em testosterona.
É uma via microbiana até então desconhecida para um hormônio fundamental para a biologia da próstata, levantando novas questões sobre se os microrganismos que vivem perto da próstata poderiam ajudar a moldar seu ambiente químico.
Mas também é necessário cautela: A descoberta não significa que a bactéria cause câncer de próstata, e mesmo se a testosterona produzida pela bactéria chega aos tumores ou altera o curso da doença é algo que ainda terá que ser pesquisado.
“Não estamos dizendo que essas bactérias causam câncer,” reforça o professor Rafael Bernardi, da Universidade de Auburn (EUA). “O que sabemos agora é que elas possuem a maquinaria molecular para produzir testosterona. Como o câncer de próstata está intimamente ligado à sinalização de andrógenos, isso é algo que vale a pena entender.”
Microbioma urinário
Durante décadas, a ciência considerou a urina como estéril – o trato urinário nem mesmo foi incluído no projeto original do Microbioma Humano. Hoje já se sabe que ela contém sua própria comunidade de microrganismos, frequentemente chamada de microbioma urinário ou urobioma.
Grande parte da pesquisa nesse campo recente tem-se concentrado em determinar quais micróbios estão presentes e se essas comunidades diferem entre pessoas saudáveis e pessoas com doenças. Este novo estudo fez uma pergunta ainda mais complexa: O que esses micróbios realmente fazem?
Testosterona, por exemplo, foi a primeira resposta encontrada.
“A descoberta dessa via de produção de andrógenos nos fornece genes e enzimas específicos que agora podem ser investigados no contexto da saúde e das doenças do trato urinário,” disse o professor Jason Ridlon.
O estudo também pode ter implicações além da pesquisa sobre a próstata. Os esteroides encontrados na urina são medidos em pesquisas médicas e exames de laboratório, bem como em testes para detecção de drogas que melhoram o desempenho. Se os microrganismos conseguirem transformar esses compostos no trato urinário, o metabolismo microbiano poderá se tornar mais um fator a ser considerado na interpretação dos perfis de esteroides urinários.
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