A expectativa é que o MEC oficialize em 2026 um reajuste de 0,37% no piso nacional dos professores da educação básica. Na prática, isso significa um aumento de R$ 18,10 no salário.
Com esse percentual, o valor atual de R$ 4.867,77 deve passar para cerca de R$ 4.885,87 na jornada de 40 horas semanais. O cenário chama atenção por indicar um dos menores reajustes desde a criação da política de valorização do magistério.
A projeção de inflação para 2025 segue bem acima do índice previsto para o piso. Com isso, cresce o risco de perda real e de redução no poder de compra dos docentes.
O que aconteceu e por que isso chamou atenção
O reajuste projetado de 0,37% aparece em meio a um impasse entre MEC, estados, municípios e representantes da categoria. Sem acordo, a tendência é a oficialização do índice calculado pela regra vigente.
O contraste com a inflação estimada para 2025 reforça a percepção de que o aumento não cobre nem as perdas do período. Esse descompasso amplia a pressão por mudanças no modelo.
Existe ainda um prazo para a formalização do índice. O MEC tem até 31 de janeiro para oficializar o reajuste.
O que muda na prática para professores da educação básica
O impacto imediato é direto no salário base que serve de referência para redes públicas de ensino. Com o acréscimo de R$ 18,10, o piso vai para cerca de R$ 4.885,87 em 40 horas semanais.
Quando o reajuste fica abaixo da inflação projetada, o resultado tende a ser redução do poder de compra. Isso afeta o cotidiano de profissionais que já enfrentam pressão por custos e consumo básico.
O tema também mexe com a percepção de valorização da carreira, já que o piso é tratado como um sinal de política pública para o magistério.
Quais são as regras, prazos e condições
O cálculo do reajuste do piso é definido pela Lei nº 11.738/2008, conhecida como Lei do Piso do Magistério. A metodologia considera principalmente o crescimento do valor anual mínimo por aluno do Fundeb.
O Fundeb é apontado como o principal mecanismo de financiamento da educação básica no país e influencia diretamente o índice aplicado no piso.
O prazo informado para a oficialização é 31 de janeiro, quando o MEC deve formalizar o percentual previsto.
Salário dos professores: Como o Fundeb passou a influenciar o índice de reajuste
Após mudanças no Fundeb em 2020, cresceram os alertas sobre distorções no cálculo. Dois fatores ganharam peso nesse debate: a redução no número de matrículas na educação básica e alterações na composição do fundo.
Esses elementos passaram a impactar negativamente o índice, com oscilações mais fortes entre um ano e outro. O resultado é um reajuste que pode variar muito, sem entregar previsibilidade.
Esse comportamento aparece na comparação recente: em 2022 houve aumento de 33,24%, enquanto em 2024 o reajuste foi de apenas 3,62%.
Pontos de atenção e dúvidas comuns
Estados e municípios apontam que o modelo atual cria um vácuo legislativo, por não trazer previsibilidade orçamentária. Do outro lado, a visão dos representantes dos professores é que a fórmula deixou de garantir valorização real.
O tema também ganhou peso político, já que um reajuste de 0,37% tende a gerar desgaste e debate público. Ao mesmo tempo, a regra do índice está ligada a um cálculo previsto em lei, o que limita mudanças imediatas sem revisão do modelo.
Dentro do governo, existe consenso sobre a necessidade de mudança na metodologia, mas ainda sem acordo sobre qual formato adotar.
Novo salário dos rofessores: O que pode acontecer a partir de agora
Um grupo de trabalho criado em 2023 reuniu MEC, Undime, Consed e CNTE para discutir alternativas. Mesmo com a participação das entidades, ainda não houve consenso.
Entre as propostas debatidas, aparece a combinação da média de crescimento do Fundeb com a inflação medida pelo INPC, com divergência sobre o peso de cada indicador. Há previsão de o INPCfechar 2025 em cerca de 4,7%, acima do reajuste projetado.
No Congresso, a Frente Parlamentar da Educação defende um novo modelo que una valorização docente e segurança fiscal. O deputado Rafael Brito (MDB-AL) afirma que a resposta precisa ser rápida para evitar efeitos duradouros de um reajuste muito baixo.
O cenário para 2026 aponta para a oficialização de 0,37%, com aumento de R$ 18,10 e piso chegando a cerca de R$ 4.885,87 em 40 horas semanais. A diferença entre o índice e a inflação projetada reforça o risco de perda real.
Sem um acordo sobre nova metodologia, a regra da Lei nº 11.738/2008 continua determinando o cálculo. A pressão por revisão cresce, com impacto direto na atratividade da profissão e na dinâmica da educação básica no país.
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