O número de transplantes de medula óssea cresceu 12,72% no Rio Grande do Norte entre 2024 e 2025, de 165 para 186, segundo dados levantados pela Central Estadual de Transplantes do RN, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Para a nefrologista Rogéria Nunes, coordenadora da Central, o aumento pode ser explicado pela inclusão de mais unidades de saúde onde o procedimento é realizado.
De 2019 – quando houve 97 procedimentos – a 2025, o número de transplantes de medula quase dobrou. “Aumentamos o número de hospitais que fazem transplante de medula. Antes era só o Hospital Rio Grande, e a partir do ano passado começou também na Liga [Contra o Câncer] e na [Casa de Saúde] São Lucas. E também houve aumento do número de leitos para o transplante nesses hospitais”, explica Nunes.
Somente o Hospital Rio Grande responde por 154 desses procedimentos em 2025, segundo informou em comunicado à imprensa. Entre 2017 e 2025, a unidade realizou 949 transplantes. Parcela significativa desse número foi realizada por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, 16 pessoas aguardam na fila para receber um transplante de medula óssea no RN. Rogéria Nunes explica que existem dois tipos de doadores: os aparentados, que são familiares que doam para outra pessoa da família com leucemia ou mieloma; e o doador cadastrado no banco nacional de medula óssea, por meio do site do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).
Para ela, o gesto de doação salva vidas. “É como se fosse uma loteria. [A pessoa que precisa de transplante] tem que encontrar uma pessoa que seja muito compatível. Quanto mais pessoas estiverem registradas no Redome, maior a probabilidade de encontrar alguém compatível e essa medula chegar a tempo”.
No RN, o doador tem sua amostra de sangue coletada no Hemonorte. Nunes detalha que, ao ser identificado como compatível, o doador passa por uma punção na medula óssea sob anestesia local. O material coletado é processado e infundido no receptor como uma transfusão de sangue. O sistema é nacional, permitindo que um doador de Natal ajude um paciente em São Paulo, por exemplo.
Ainda em vida, a pessoa pode doar órgãos e tecidos como a medula óssea e o rim. É essencial buscar orientação profissional para conhecer o procedimento e realizá-lo de modo seguro. A autorização da família é necessária no caso de doação de múltiplos órgãos, quando o doador morreu.
O número total de transplantes de órgãos foi de 426 no estado em 2025. O transplante de medula liderou os procedimentos, seguido por transplante de córnea (183) e rim (56). Houve um transplante de coração e nenhum de pele. Já em 2024, esses números foram, respectivamente: 165, 198, 60, um e zero. O aumento entre 2019 e 2025 foi de 36,53% – de 312 para 426.
Rosali Cortez, presidente da associação Hatmo-RN (Humanização e Apoio ao Transplantado de Medula Óssea do Rio Grande do Norte), define o ato como “a diferença entre a vida e a morte”. Para ela, “doar medula óssea é imitar Jesus, que nos salvou derramando todo o sangue. E a gente derrama só 10% para salvar uma vida, que é o máximo que a gente pode doar”.
A Hatmo-RN é uma associação beneficente que acolhe, apoia e sustenta pacientes e familiares durante o processo do transplante de medula óssea. Cortez explica que a entidade é formada por transplantados e por pessoas voluntárias. “Apoiamos pacientes encaminhados para o transplante. O hospital encaminha para a gente esse paciente, e damos o apoio que eles precisam”.
Para dar esse suporte, a Hatmo-RN conta com duas casas de apoio para hospedar os transplantados que vêm de outras cidades, prepara enxovais e entrega cesta básica contendo itens essenciais para quem faz o transplante. Além disso, tem uma equipe multidisciplinar para apoiar os pacientes e suas famílias.
A associação existe há 18 anos, e nesse período Cortez vê avanços na conscientização e na publicidade do ato de doar, o que contribuiu com o aumento dos transplantes. “Tem aumentado o número de cadastros de doadores, o número de transplantes e a sobrevida”.
Tribuna do Norte