Alta no preço do café reduz consumo em todo o país e muda hábitos no RN

O consumo de café no Brasil registrou queda de -2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025 em comparação com o mesmo período anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) divulgados na semana passada. No Nordeste, a queda foi de -1,72%. A razão para a redução está no alto preço do produto, que registrou aumento de 5,8% entre janeiro e dezembro de 2025. Os efeitos da redução no consumo da bebida também são sentidos no Rio Grande do Norte, de acordo com a Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn) e consumidores ouvidos pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE. Mikelyson Góis, presidente da Assurn, afirma que não há dados locais disponíveis, mas aponta uma mudança no comportamento do consumidor. “Nos últimos dois anos o preço do café teve um aumento muito grande, embora nos últimos seis meses tenha havido uma pequena redução e depois uma estabilização. Nesse contexto, com o café moído muito caro, houve uma migração para o solúvel, que passou a contar com um consumo maior”, explicou Mikelyson Góis. Heraldo Paiva Júnior, proprietário de um supermercado no bairro de Nova Descoberta, na zona Sul de Natal, estima uma redução de cerca de 8% na compra do produto na loja nos últimos seis meses. “A bebida teve um aumento exponencial em meados do ano passado, saindo de cerca de R$ 10 para algo em torno de R$ 18, em média. Hoje, o preço médio é de R$ 16, mas ainda assim a gente observa essa queda na casa dos 7% ou 8%, que eu considero pequena, mas ela existe”, aponta Paiva. A faxineira Elizângela dos Santos conta que trocou o café em pó pelo solúvel desde o ano passado, diante da disparada dos preços. “Se voltar a ser como antes, quando custava R$ 9, eu volto a comprar café em pó, mas por enquanto não dá”, diz. Já a cozinheira Raimunda Maria não abre mão do café tradicional. “Não posso ficar sem. Acho até que aumentei o consumo. Pode ser o preço que for, eu compro. Café é sagrado”, contou, rindo. Conforme os dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), no período contabilizado até outubro passado o consumo no país foi de 21,4 milhões de sacas de 60 quilos, contra 21,9 milhões em igual recorte anterior (novembro de 2023 a outubro de 2024). No Nordeste, o consumo ficou em 5,7 milhões de sacas de novembro de 2024 a outubro do ano passado; no período anterior, foram 5,8 milhões de sacas. De acordo com a Abic, o total consumido em todo o Brasil no último recorte analisado representa 37,9% da safra de 2025, que foi de 56,54 milhões de sacas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Já a quantidade consumida no Nordeste equivale a 10% da safra total. A Abic informou que o recorde de consumo interno do produto ocorreu em 2017, quando o número atingiu 22 milhões de sacas. Preços devem seguir em alta O economista Helder Cavalcanti avalia que a retração no consumo interno da bebida deve se manter em todo o país, uma vez que os preços irão seguir altos. “A Abic prevê uma alta de até 15% no preço do café nos próximos meses, impulsionada pela inflação de 60,85% nos últimos 12 meses e pela queda na produção devido a adversidades climáticas. Essa elevação deverá ocorrer, principalmente, por conta da oferta restrita e demanda crescente. Então, é provável que a tendência de redução de consumo no Brasil permaneça. No entanto, é importante registrar que o consumo mundial de café continua crescendo, especialmente na China e em outros países asiáticos, o que pode ajudar a manter os preços elevados”, analisa Cavalcanti. O economista afirma que mitigar o impacto da alta do preço do café no consumo é um desafio, mas algumas ações podem amenizar os efeitos. “É importante diversificar produtos, com oferta de opções de café mais acessíveis, como blends, com outras bebidas ou produtos de menor valor agregado. Também é possível incentivar o consumo consciente para aumentar a percepção de valor do café e reduzir o desperdício, além de ajustar a produção para reduzir custos e manter preços competitivos. O apoio governamental, com políticas para ajudar os produtores e incentivar a produção sustentável também é uma medida necessária”, detalha Helder Cavalcanti. Faturamento cresce A queda no consumo interno do café não significou perdas para a indústria, cujo faturamento cresceu 25,6% em 2025, somando R$ 46,24 bilhões. Segundo a Abic, esse crescimento no faturamento foi resultado principalmente do aumento do preço nas gôndolas. Ainda de acordo com a Abic, os valores dos cafés tradicionais e extraforte aumentaram 5,8% no ano passado. O preço médio dos cafés especiais sofreu alta de 4,3%. O aumento também foi percebido na categoria de café gourmet, que teve variação de 20,1% em 2025. Nos últimos cinco anos, a matéria-prima aumentou 201% na espécie conilon e 212% na arábica. No varejo, o café aumentou 116%. No último ano, a variação de preço ao consumidor do café torrado e moído foi de 5,8%. O Brasil continua sendo o maior consumidor dos cafés nacionais. Em 2023, o mercado interno foi responsável por 39,4% do consumo da produção total, enquanto que em 2024 o índice foi de 40,4% e, em 2025, de 37,9%. Tribuna do Norte

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Idosa morre após ser atingida por coice de animal no interior do RN

Uma idosa de 72 anos morreu após ser atingida por um coice de um jumento em Itajá, no Vale do Açu, no interior do Rio Grande do Norte. O fato ocorreu no último sábado (31). A idosa foi identifcada como Maria do Socorro da Cunha. Depois de ser atingida, a vítima foi para a UPA do Alto São Francisco, em Assú. A equipe médica realizou procedimentos de emergência, mas não conseguiu salvá-la. Ainda não sabe mais detalhes sobre como foi o acidente. A confirmação da Polícia Militar foi que a fatalidade ocorreu na zona rural do município de Itajá. Tribuna do Norte

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Erro de baliza não vai mais reprovar em exame para obtenção da 1ª CNH no RN; entenda

O Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran/RN) deve se adequar as novas regras da avaliação do exame prático para obtenção da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) presentes na publicação do Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, emitido pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), do Ministério dos Transportes, divulgadas neste domingo (1º). Entre as mudanças mais significativas destacadas no novo manual está a retirada da baliza como etapa autônoma e eliminatória. As novas diretrizes, no entanto, não começam a valer instantaneamente. No primeiro momento, o Detran/RN vai realizar um trabalho de atualização técnica de requalificação dos examinadores de trânsito da autarquia, tendo como base as normas emitidas pela Senatran, para, em seguida, iniciar a prática das avaliações na pista de testes de acordo com os novos critérios. Segundo o manual, a tradicional manobra de baliza, exigida em espaço isolado, passa a ser considerada apenas como parte de um estacionamento ao final do percurso, sem o peso de reprovação automática que tinha no modelo anterior. Isso não significa que parar corretamente deixará de ser observado, mas a avaliação agora prioriza o desempenho do candidato em situações reais de trânsito. O foco central da prova passa a ser para trajeto em via pública, no qual o examinador observa como o avaliado interage com o ambiente rodoviário. São critérios de avaliação fundamentais a leitura do trânsito, respeito às sinalizações, tomada de decisões seguras em conversões, mudanças de faixa, observância de faixas de pedestres e convivência com outros veículos, pedestres e ciclistas. Essa mudança reflete o entendimento de que dirigir com segurança no dia a dia requer vivência e atenção constante, e não apenas a execução mecânica de manobras. Outro aspecto essencial que o Detran/RN destaca é a nova forma de pontuação para o exame. Em vez de faltas eliminatórias pré-definidas, a avaliação agora considera exclusivamente as infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com diferentes pesos conforme a gravidade, sejam elas leve (peso 1), média (peso 2), grave (peso 4) ou gravíssima (peso 6). Nesse caso, o limite máximo para aprovação do candidato é de até 10 pontos. Isso significa que um ou outro erro leve, desde que dentro do limite de pontos, não implicará automaticamente na reprovação, desde que o condutor demonstre comportamento seguro e domínio do veículo. O Detran/RN lembra que existe a possibilidade de realizar o exame prático com veículo de transmissão automática, desde que o automóvel esteja em conformidade com as regras de circulação e equipado com todos os itens obrigatórios exigidos pela legislação de trânsito, sendo assim um ponto importante para candidatos que se sentem mais seguros nesse tipo de veículo. Diante desse novo panorama de avaliação, o Detran/RN orienta os candidatos a se concentrarem em comportamentos que refletem a direção responsável e segura. Antes de tudo, é fundamental que o candidato esteja plenamente familiarizado com os controles do veículo, com o uso correto de espelhos retrovisores e setas de sinalização, e que ajuste banco e volante para uma posição confortável e eficiente. Demonstrar domínio sobre o veículo desde o início do trajeto passa uma impressão de preparo e tranquilidade ao examinador. A prática regular em vias públicas, com a supervisão de instrutores ou condutores experientes, também é uma dica reforçada pelo órgão. O candidato deve se acostumar a antecipar situações de risco, a manter distância segura de outros veículos e a identificar corretamente placas de sinalização, semáforos e ter um certo domínio da legislação de trânsito para ler com clareza e obedecer às indicações viárias presentes ao longo da pista de exame prático. Tribuna do Norte

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Preço dos ovos diminui em janeiro para o menor nível em seis anos

O ovo, uma das proteínas mais consumidas pelos brasileiros, teve redução de preço em todo o país no mês de janeiro, alcançando o menor nível dos últimos seis anos, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). As médias mensais apresentaram uma queda de até 17% em relação a dezembro de 2025. Quando comparado ao mesmo período do ano passado, o recuo é ainda mais expressivo, chegando a 27%. Os índices consideram as informação compiladas até a última quarta-feira (28), com os valores reais, corrigidos pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de dezembro de 2025. Consumidores da capital potiguar ouvidos pela reportagem afirmaram ter percebido a redução. A diarista Vanderleia Nascimento contou que, com preços melhores, dá para consumir mais. “Lá em casa eu e meu filho consumimos bastante ovo, então, é ótimo que os preços estão melhores”, disse. A empregada doméstica Vanusa Ferreira foi ao supermercado nesta segunda-feira (2) fazer as compras para a casa onde trabalha, mas revelou que na semana passada aproveitou os preços em conta para levar o produto para as refeições caseiras e também para as vendas do marido, que é comerciante. “Levei três bandejas para mim e 15 para o comércio do meu esposo. Está bem barato mesmo e isso é muito bom, inclusive para quem revende, como é o caso do meu marido”, falou Vanusa. BG/Tribuna do Norte

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Homem é condenado por maus-tratos a cães e gatos na zona rural do RN

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) condenou um morador do município de Encanto por maus-tratos a cães e gatos mantidos na zona rural da cidade. A decisão foi proferida pela 3ª Vara da Comarca de Pau dos Ferros, resultado de uma ação penal movida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), após a comprovação de que os animais viviam em situação de abandono e sofrimento. O caso teve origem em uma denúncia registrada em 8 de novembro de 2024. Ao chegarem ao local, agentes de segurança encontraram 13 cães e seis gatos amarrados, em condições precárias de higiene. Os animais apresentavam magreza, ferimentos pelo corpo, sinais de doenças e infestação por carrapatos. Durante a mesma diligência, também foram localizadas aves silvestres mantidas em cativeiro sem autorização legal, entre elas galos-de-campina, golinho, canto-de-ouro, maria-fita e bigode. No entanto, conforme registrado na sentença, a posse irregular das aves foi tratada em procedimento diferente deste. Ao analisar a ação, o juiz Edilson Chaves de Freitas considerou comprovadas a autoria e a materialidade do crime, com base no boletim de ocorrência, nos laudos técnicos e nos depoimentos colhidos ao longo da instrução. Para o magistrado, ficou caracterizado o descumprimento do dever legal de cuidado e proteção dos animais, submetidos a condições incompatíveis com o bem-estar. A conduta foi enquadrada no artigo 32, §1º-A, da Lei nº 9.605/1998, que prevê punição mais severa para maus-tratos envolvendo cães e gatos. Considerando os antecedentes criminais e a reincidência do réu, a Justiça fixou a pena em 2 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão, além de 12 dias-multa, a ser cumprida em regime inicial semiaberto. O pedido de substituição da pena privativa de liberdade por medidas alternativas foi negado por ausência dos requisitos legais. Tribuna do Norte

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Dupla é presa com bonecos de pelúcia usados para esconder drogas no interior do RN

A Polícia Militar do Rio Grande do Norte apreendeu duas bonecas de pelúcia usadas por traficantes para esconder drogas e aparelhos celulares. O caso ocorreu nesta sexta-feira (30) no município de Areia Branca, na região da Costa Branca do RN. Além disso, dois indivíduos que estavam escondendo drogas nos brinquedos foram presos. Na ação, os policiais apreenderam 97 porções de substância análoga à maconha, além de uma porção média da mesma droga. Também foram encontrados uma balança de precisão, um rolo de plástico filme, R$ 134,00 em espécie, uma câmera de monitoramento. Os suspeitos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil. Trinuna do Norte

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RN: Bebê cai no chão durante parto em maternidade

Um bebê caiu no chão durante o parto na Maternidade Dr. Araken Irerê Pinto, em Natal. O caso ocorreu durante o atendimento a uma gestante que deu entrada na unidade em trabalho de parto ativo, apresentando uma evolução rápida e atípica do trabalho de parto, conforme informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Segundo a SMS, a gestante foi acolhida com seis centímetros de dilatação e sem sinais de ruptura da bolsa amniótica, quadro considerado dentro da normalidade para a fase do trabalho de parto. A paciente recebeu atendimento imediato da equipe multiprofissional. No entanto, durante o deslocamento para a sala de parto, houve uma evolução súbita e atípica do quadro clínico, caracterizada como parto taquitócico, quando o nascimento acontece de forma acelerada. Em nota, a secretaria explicou que “durante o deslocamento para a sala de parto, houve uma evolução súbita e atípica do quadro clínico, caracterizada como parto taquitócico (ou precipitado), situação em que o trabalho de parto progride de forma acelerada, culminando no nascimento durante o trajeto”. A Secretaria Municipal de Saúde informou que, durante todo o período de acolhimento, a gestante esteve sob os cuidados da equipe assistencial e que todos os procedimentos pós-parto foram realizados com a mãe e o recém-nascido. Ainda de acordo com a pasta, o bebê passou por avaliação médica completa, incluindo tomografia e outros exames, não apresentando lesões ou sequelas, e segue em acompanhamento regular pelo serviço de saúde. Tribuna do Norte

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Morre aos 87 anos a professora e líder espírita Lúcia Siebra, referência no Alto Sertão da Paraíba

A professora aposentada Lúcia Maria de Brito Gonçalves Siebra faleceu às 10h30 desta quinta-feira (29), em sua residência, na cidade do Crato, região do Cariri cearense. Aos 87 anos, Dona Lúcia lutava contra um câncer e deixa uma trajetória marcada pela educação, espiritualidade e dedicação ao serviço comunitário. Figura respeitada no meio espírita, Dona Lúcia Siebra foi considerada uma das principais referências da doutrina no Alto Sertão da Paraíba, onde desenvolveu um trabalho contínuo de orientação espiritual e ações solidárias. Seu nome tornou-se sinônimo de acolhimento, fé e compromisso com os valores humanos. No campo educacional, construiu carreira sólida no ensino público. Antes de se estabelecer em Cajazeiras, atuou como diretora de uma escola estadual no Crato que levava o nome de Escola Estadual da Paraíba, numa homenagem simbólica ao estado paraibano, com o qual manteve fortes vínculos ao longo da vida. O falecimento de Dona Lúcia representa uma perda significativa para a educação e para o movimento espírita regional, deixando um legado que seguirá presente na memória daqueles que conviveram com sua história e seus ensinamentos. Resenha Politika

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Operação Mederi aponta dano mínimo de R$ 13,3 milhões

A decisão judicial que embasou a Operação Mederi aponta que as supostas fraudes investigadas pela Polícia Federal podem chegar a R$ 13,3 milhões, valor bloqueado pela Justiça e correspondente ao prejuízo mínimo estimado aos cofres públicos em contratos firmados por cinco prefeituras do Rio Grande do Norte com fornecedoras de medicamentos. O montante é referente ao período de dois anos, entre 2024 e 2025, e fundamentou a determinação do bloqueio e sequestro de bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas no esquema. Os bloqueios têm caráter cautelar e não representam antecipação de culpa. Mossoró foi a cidade que concentrou o maior volume financeiro entre os municípios investigados, com R$ 9,58 milhões (71,8%) pagos às empresas Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda. e Drogaria Mais Saúde. Em relação às outras quatro prefeituras, os valores são inferiores, mas seguem o mesmo padrão de contratação e execução no mesmo período (2024/2025). Em Serra do Mel, os pagamentos totalizaram R$ 1,68 milhão. Já o município de Paraú fez repasses de R$ 577,76 mil. A exemplo de Mossoró, Serra do Mel e Paraú tiveram movimentações com as duas empresas. No município de São Miguel, os pagamentos foram feitos apenas à Dismed e somaram R$ 420,28 mil. Em José da Penha, também conforme a decisão, foram pagos R$ 1,07 milhão à Dismed. Segundo a decisão assinada pelo desembargador federal Rogério Fialho Moreira, a qual a TRIBUNA DO NORTE teve acesso, as fraudes podem chegar a R$ 13,3 milhões porque esse valor corresponde ao prejuízo mínimo estimado, considerando os contratos apurados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que apontam indícios de entrega parcial de medicamentos, superfaturamento e pagamento integral das notas fiscais. O magistrado ressalta que o montante foi adotado exclusivamente para fins de bloqueio patrimonial, e que o valor pode ser ampliado caso novas irregularidades sejam comprovadas ao longo do inquérito. “A soma das contratações acima totaliza um montante de R$ 13.339.021,31, valor considerado razoável, neste momento da investigação, para garantir a reparação dos prejuízos causados”, diz trecho do documento. Com base nesses valores, o juiz autorizou o bloqueio e o sequestro de bens e ativos financeiros até o limite do prejuízo estimado, por meio de sistemas como Sisbajud, Renajud, Criptojud e do Cadastro Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB). A medida alcança contas bancárias, imóveis, veículos, aplicações financeiras e até criptoativos, com o objetivo de evitar a “dilapidação do patrimônio” e garantir “eventual ressarcimento ao erário”. “Assim, com a finalidade de impedir que os integrantes do grupo criminoso continuem se locupletando dos valores revelados e ressarcir o prejuízo suportado pelo Erário, é cabível o bloqueio e sequestro de bens móveis e imóveis”, diz trecho da decisão. O que dizem os citados na operação Em nota, a defesa de Allyson Bezerra afirmou que não há elementos que vinculem pessoalmente o prefeito às irregularidades investigadas. Segundo os advogados, o mandado foi deferido com base em diálogos envolvendo terceiros e não resultou em qualquer medida restritiva ao gestor. “A investigação envolve contratos firmados entre municípios e empresas fornecedoras de medicamentos, em diferentes entes municipais, e não se confunde com a atuação pessoal do prefeito de Mossoró”, diz o texto. A defesa ressaltou ainda que Allyson colaborou desde o primeiro momento com as autoridades. O prefeito de Mossoró ressaltou que, ainda em 2023, editou um decreto municipal determinando que todos os medicamentos distribuídos pela Prefeitura de Mossoró passassem obrigatoriamente pelo Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica (Hórus), plataforma federal de controle e rastreamento de insumos. A Prefeitura de São Miguel publicou nota oficial detalhando que o contrato do Município com a Dismed foi firmado na gestão anterior. “O vínculo com a empresa foi firmado em gestões anteriores, precedendo a atual gestão. Embora o contrato ainda estivesse vigente, a atual administração já conduzia os trâmites internos para a realização de um novo processo licitatório”. O Executivo também reforçou o “compromisso com a transparência” disse que colabora com as investigações. A Prefeitura de José da Penha também publicou nota e garantiu que todos os contratos firmados estão dentro da legalidade. O documento assinado pelo procurador-geral do Município, Carlos Vinicius Campos Fontes, afirma que não houve “nenhum ilícito com estes ou quaisquer outros contratos firmados com nossos fornecedores. Seguiremos mantendo a transparência, respeito e cordialidade”. A reportagem tentou esclarecimentos com as prefeituras de Serra do Mel e Paraú, mas não houve retorno. A defesa da Dismed e de Oseas Monthalggan afirmou em nota que ‘demonstrará inexistência de qualquer conduta criminosa’ após empresa e empresário terem sido alvos de uma operação Mederi da Polícia Federal que investiga desvios de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios, deflagrada na terça-feire (27). Segundo a nota, informações publicadas na imprensa de que teriam sido encontradas cifras milionárias nas dependências da empresa ou na residência de Monthalggan não correspondem à realidade. A nota afirma ainda que os R$ 52 mil encontrados decorrem de atividade lícita. A Drogaria Mais Saúde foi procurada, via contato telefônico, mas não houve resposta. O espaço permanece aberto. TRF-5 bloqueia ativos e impõe uso de tornozeleira Conforme decisão do desembargador Rogério Fialho Moreira (TRF – 5ª Região, Recife/PE), houve bloqueio de ativos financeiros em todo o país de cinco empresas e de 11 pessoas físicas. Também foi determinado o uso de tornozeleira eletrônica para sete dos investigados, inclusive o prefeito de Paraú, João Evaristo Peixoto, o qual fora “flagrado” em atos de corrupção, o que a torna “necessária para fiscalizar efetivamente o cumprimento das múltiplas proibições impostas, especialmente c considerando sua inserção em redes de poder local”. Para o TRF-5 as demais medidas (proibições de acesso, contato e ausência da comarca/país) são necessárias pelos mesmos fundamentos já expostos quanto aos demais investigados. No entanto, o magistrado entendeu que o afastamento de Peixoto do cargo “não se revela imprescindível, no momento, porquanto se trata de medida gravíssima que interfere diretamente na soberania do voto popular manifestada na eleição como prefeito de Paraú” Entre os investigados que usam tornozeleira estão o ex-candidato a prefeito de Upanema, Oseas Monthalggan (sócio formal da

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INSS: igreja de dona de ONG investigada retira fachada após escândalo

A placa de identificação da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus (foto em destaque), localizada no Recanto das Emas – a cerca de 32 km da área central de Brasília –, foi retirada dias após o Metrópoles revelar que a instituição pertence a uma sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB) – ONG investigada na farra do INSS. Na mira da Controladoria-Geral da União (CGU), a AAB solicitou descontos em benefício de pessoas mortas há décadas. Levantamento feito pela CGU identificou que a organização, sediada em Brasília, solicitou indevidamente, em mais de 27 mil casos, a inclusão de descontos associativos de pessoas já falecidas. Estranhamente, no mesmo endereço onde está a igreja evangélica, fundada por Lucineide dos Santos Oliveira, sócia da AAB, supostamente funciona uma companhia pertencente a Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer) – outra instituição envolvida nas fraudes. Antes da modificação na fachada, a reportagem esteve no endereço e encontrou apenas a instituição religiosa, erguida entre um centro catequético e um terreno baldio. Apesar disso, segundo dados da Receita Federal, a loja de Samuel está ativa no espaço, configurando a suspeita de ser uma empresa fantasma. Dias após a matéria de denúncia do Metrópoles ser veiculada, a placa com a identificação da igreja evangélica foi retirada e o terreno baldio foi cercado por um alambrado. Tanto a AAB quanto a Conafer têm como sede o mesmo prédio empresarial, localizado no Setor Comercial Sul de Brasília. Ambas organizações aparecem na lista de Processos Administrativos de Responsabilização (PAR), instaurados pela CGU, por suspeitas de terem aplicado descontos ilegais em aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações, que divergem apenas no número da sala, constam no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica das instituições e foram concedidas à União no momento da criação das empresas. Os CNPJs, inclusive, permanecem ativos, com os mesmos dados, perante a Receita Federal. Dezenas de empresas em mesmo endereço Além de a igreja de Lucineide e uma companhia de Samuel supostamente funcionarem no mesmo lugar, a dupla tem dezenas de outros CNPJs distintos funcionando na parte superior de um sobrado no Recanto das Emas. A reportagem apurou que também funcionam no endereço empresas pertencentes a Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor do presidente da Conafer. Cícero – que chegou a afirmar, durante a CPMI, que lucrava “uns trocos” com o dinheiro que deveria ser destinado aos beneficiários do INSS – foi preso em 17 de novembro de 2025, durante operação da PF. Samuel foi preso no âmbito da mesma operação. Em 16 de outubro, durante depoimento, Cícero admitiu que abriu empresas para prestar serviços a pedido de Carlos Lopes. Ele disse que recebia planilhas de pagamentos para as entidades da Conafer e, posteriormente, fazia o repasse. Pontuou ainda que não conhece Samuel Chrisostomo, apesar de ter CNPJ de instituição sediada no mesmo local de empresas do homem. Santos também negou saber de onde vinham os recursos recebidos pela Conafer. Ele e a esposa, no entanto, teriam movimentado R$ 300 milhões da instituição desde 2019. Durante a CPMI, as empresas de Cícero foram apontadas como empreendimentos de natureza laranja. “A única coisa que estou vendo aqui nesta CPMI é que as pessoas que os sindicatos ajudam são os próprios dirigentes e seus familiares, as empresas dos dirigentes, dos familiares, ou dos laranjas e familiares dos laranjas. E você é um laranja, suas empresas são empresas laranjas”, disse a deputada Adriana Ventura (Novo-SP). Operação A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, em 13 de novembro de 2025, nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que mira esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A ação mobilizou equipes em 17 estados e no Distrito Federal. Ao todo, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e diversas medidas cautelares. Entre os presos estão: Como o esquema funcionava Segundo as investigações, os suspeitos atuavam inserindo dados falsos em sistemas oficiais para incluir beneficiários em associações ou entidades fictícias. A partir disso, eram feitos descontos mensais indevidos diretamente nos pagamentos de aposentados e pensionistas, muitos deles sem qualquer conhecimento sobre as cobranças. Os alvos são investigados por formar organização criminosa voltada à obtenção de vantagens financeiras por meio de estelionato previdenciário, além de corrupção ativa e passiva para facilitar o acesso fraudulento aos sistemas do INSS. Também há apurações sobre ocultação de patrimônio, supostamente utilizado para dificultar o rastreamento dos valores desviados. O outro lado O Metrópoles tentou contatar as pessoas mencionadas no texto por meio de e-mail e por telefone, mas não obteve retorno até a última atualização. O espaço segue aberto para futuras manifestações. Metrópoles/Jéssica Ribeiro

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