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Sesap alerta sobre risco de intoxicação com consumo de peixes no RN

Sesap alerta sobre risco de intoxicação com consumo de peixes no RN

Com o aumento do consumo de peixes no período do verão e com a proximidade do Carnaval, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) emitiu nota técnica alertando profissionais de saúde, pescadores, comerciantes e a população em geral sobre os riscos da intoxicação por ciguatera no litoral do Rio Grande do Norte. A orientação é voltada, principalmente, para áreas de praias e regiões com recifes e corais. De 2022 a 2025, a Saúde registrou 77 casos de intoxicação.

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados por ciguatoxinas, substâncias produzidas por microalgas presentes em ambientes recifais. Essas toxinas passam dos peixes menores para os de médio e grande porte, especialmente os carnívoros, e podem provocar sintomas que vão de distúrbios gastrointestinais a complicações neurológicas no ser humano.

Em vídeo divulgado pela Sesap, a coordenadora de vigilância em saúde, Diana Rêgo, destaca que a recomendação da pasta é que o consumo do peixe do tipo arabaiana seja evitado. “Isso se deve pela toxina que esse peixe acumula com o passar do tempo”, justifica. A coordenado ainda tranquiliza a população, e reforça que a vigilância seguirá acontecendo para o monitoramento da ciguatoxina no litoral do RN.

Após a intoxicação pelo consumo da toxina, os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo e incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dor de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca. Em alguns casos, os efeitos podem persistir por semanas ou meses.

Entre as recomendações da Sesap estão a procura imediata por atendimento de saúde ao surgirem sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas; a identificação da espécie ingerida; e a preservação de sobras do peixe, devidamente acondicionadas e congeladas, para possível análise pela Vigilância Sanitária. A orientação também é evitar o consumo de peixes associados a relatos de intoxicação, sobretudo quando a procedência for desconhecida.

Segundo a Sesap, as ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por processos como cozimento, congelamento, salga ou defumação. Mesmo após o preparo, a toxina permanece ativa no pescado. As maiores concentrações costumam estar na cabeça, vísceras e ovas dos peixes contaminados.

Não há tratamento específico ou antídoto para a ciguatera. O manejo dos casos é feito com medidas de suporte, como hidratação, analgesia, controle das náuseas e acompanhamento clínico.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (Ciatox-RN) pode ser acionado para orientações e esclarecimentos. O serviço funciona 24 horas pelos telefones 0800 281 7005 e WhatsApp (84) 98883-9155.

Casos no RN

No Rio Grande do Norte, o primeiro surto confirmado de ciguatera foi registrado em 2022, atingindo dez pessoas de uma mesma família após o consumo do peixe conhecido como bicuda (barracuda). Entre fevereiro e maio de 2025, foram identificados três surtos, com 18 pessoas expostas, associados ao consumo de arabaiana, bicuda e dourado.

Atualmente, cinco surtos estão em fase de investigação epidemiológica, envolvendo 36 pessoas. Entre 2022 e 2025, a série histórica contabiliza 77 casos notificados de intoxicação exógena, incluindo surtos confirmados e eventos ainda sob investigação, com registros envolvendo espécies como barracuda, cioba, guarajuba, arabaiana e dourado, além de confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras.

Tribuna do Norte

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