PT pede cassação da chapa de Flávio Bolsonaro e leva ao STF denúncia de possível interferência americana nas eleições
O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma ofensiva jurídica para investigar o que classifica como possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026. A iniciativa envolve suspeitas de financiamento externo, anúncios digitais patrocinados fora do país, articulações políticas e operações de comunicação que, segundo a legenda, poderiam beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). No TSE, o partido pede a cassação da chapa formada por Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, além da apuração de possíveis abusos de poder político e econômico e do uso indevido dos meios de comunicação.
No Supremo, o PT pediu a abertura de investigação pela Polícia Federal para identificar quem teria financiado, executado ou eventualmente se beneficiado das ações apontadas. Entre os elementos apresentados estão suspeitas envolvendo recursos e estruturas estrangeiras, além de iniciativas digitais direcionadas ao eleitorado brasileiro. A legenda sustenta que é necessário preservar provas, rastrear movimentações financeiras, identificar contratos e responsáveis por operações digitais e, caso sejam preenchidos os requisitos legais, aprofundar medidas de investigação. A acusação, porém, ainda está sob apuração e não representa conclusão judicial de que houve interferência estrangeira ou financiamento irregular.
Um dos pontos mais sensíveis envolve anúncios patrocinados no exterior que teriam favorecido Flávio Bolsonaro. De acordo com a petição apresentada pelo PT, pelo menos 11 perfis no X divulgaram conteúdos patrocinados entre os dias 18 e 21 de setembro sem identificação clara do financiador. As publicações teriam utilizado informações da plataforma Polymarket para apresentar uma suposta vantagem eleitoral do candidato. A investigação solicitada pretende descobrir quem bancou os anúncios, quanto foi gasto, qual foi o alcance das publicações e se existiu alguma ligação financeira ou operacional com a campanha. A campanha de Flávio declarou não ter conhecimento dos anúncios mencionados.
Outro eixo da denúncia envolve a chamada Rockbridge Network e possíveis conexões com brasileiros citados na documentação apresentada ao Supremo. O PT pede que sejam examinados registros de reuniões, contratos, documentos financeiros e eventuais relações envolvendo nomes como Tallis Gomes, Pedro Sang e André Marinho. O partido também questiona estruturas de comunicação e conteúdos disponibilizados em plataformas associadas ao campo político de direita. A existência de vínculos empresariais ou internacionais, isoladamente, não comprova financiamento estrangeiro irregular, razão pela qual a apuração solicitada busca justamente determinar se houve transferência de recursos, prestação de serviços ou qualquer operação destinada a influenciar a disputa eleitoral brasileira.
A ofensiva ocorre em um momento particularmente delicado da corrida presidencial. O próprio TSE já abriu uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Mario Frias para apurar possível atuação coordenada de contas no Instagram, com alegações de abuso dos poderes econômico e político e uso indevido dos meios de comunicação. Em 22 de setembro, a Corregedoria-Geral Eleitoral determinou que Facebook e Shopee preservassem e fornecessem dados relacionados às contas investigadas. Esse procedimento é separado da nova iniciativa do PT no STF, mas demonstra que existem atualmente diferentes frentes de investigação envolvendo a comunicação digital relacionada à candidatura.
Apesar da gravidade das acusações apresentadas pelo PT, não existe decisão judicial cassando a chapa de Flávio Bolsonaro neste momento. O TSE aprovou por unanimidade, em 2 de setembro, o registro da chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, considerando naquele momento que os requisitos formais de candidatura estavam atendidos. A nova ação pretende justamente provocar uma investigação sobre fatos posteriores e outras circunstâncias alegadas pelo PT. Se as acusações forem comprovadas e a Justiça Eleitoral entender que houve ilícitos com gravidade suficiente, poderão surgir consequências eleitorais, inclusive aquelas requeridas na ação. Até lá, as denúncias permanecem como objeto de investigação e disputa judicial.
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