A estatal colombiana Ecopetrol retomou o processo de aquisição da Brava Energia após obter aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para prosseguir com a Oferta Pública de Aquisição (OPA). Avaliada em cerca de R$ 5,5 bilhões, a operação pode levar a companhia a assumir o controle de 51% da petroleira e ampliar os investimentos no Rio Grande do Norte, onde a Brava possui ativos estratégicos no setor de petróleo e gás.
Conforme o edital da operação, a Ecopetrol passará a ter participação nas reservas de petróleo e gás da Brava Energia, estimadas em 459 milhões de barris de óleo equivalente (MMboe), na proporção do percentual adquirido na companhia. Além disso, a estatal colombiana agregará uma produção média de aproximadamente 81 mil barris de óleo equivalente por dia (kboe/d) no Brasil.
A Brava Energia possui ativos relevantes no Rio Grande do Norte. No segmento de Mid & Downstream — que engloba as atividades de processamento, transporte, armazenamento e comercialização de petróleo e gás natural — a companhia opera o Ativo Industrial de Guamaré (AIG).
O complexo inclui a Refinaria Clara Camarão, com capacidade de refino de 39,6 mil barris por dia, o Terminal Aquaviário de Guamaré e Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGNs) conectadas às redes de transporte do Nordeste e do Sudeste.
A Brava é a segunda maior petroleira independente do país. A operação também reforça a presença do capital estrangeiro no setor brasileiro de petróleo e gás.
Para Criste Jones, presidente da Redepetro RN, a possível entrada da Ecopetrol no controle da Brava demonstra que os ativos brasileiros continuam sendo estratégicos e atrativos para investidores de grande porte.
“Para o Rio Grande do Norte, o aspecto mais importante não é apenas quem será o controlador, mas qual será o compromisso com a continuidade e a ampliação dos investimentos”, disse.
Outro aspecto considerado fundamental pela entidade é que a eventual mudança de controle preserve o relacionamento construído com os fornecedores locais e mantenha uma política de valorização do conteúdo regional.
“A competitividade das empresas potiguares depende de um ambiente de negócios previsível, de investimentos contínuos e de decisões que fortaleçam toda a cadeia produtiva”, aponta Jones.
A Redepetro-RN ressalta que o estado reúne importantes diferenciais competitivos, como mão de obra especializada, empresas experientes, tradição na produção terrestre e um ambiente cada vez mais integrado entre petróleo, gás natural e novas energias.
O presidente do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN), Marcos Brasil, vê com otimismo a possível aquisição da Brava Energia pela estatal colombiana Ecopetrol. Segundo ele, a estatal pode trazer impactos positivos para o estado em relação aos investimentos e à geração de empregos no setor.
“A Brava continuará existindo e, com novos aportes, poderá aumentar a produção de petróleo no RN”, defende.
Segundo Marcos Brasil, a operação tende a gerar efeitos positivos para a economia potiguar, com a ampliação da atividade econômica. Para ele, a Ecopetrol é uma empresa consolidada no setor, com maior capacidade de investimento e ampla experiência na atividade, o que pode contribuir para o fortalecimento do segmento no estado.
Na avaliação de Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia (Corecon/RN), a aquisição da Brava Energia pela Ecopetrol tende a trazer benefícios operacionais e financeiros para as atividades da companhia no estado.
“A aquisição da Brava pela Ecopetrol permitirá que a empresa colombiana aplique suas técnicas avançadas de recuperação de petróleo nos campos terrestres, especialmente na região Oeste do RN. Trata-se de uma operação de ganho mútuo, com potencial para fortalecer a exploração de petróleo no estado”, afirma.
Em nota, a Brava afirmou que a OPA segue em andamento e que eventuais desdobramentos relevantes serão divulgados posteriormente ao mercado por meio do portal de relações com investidores.
A conclusão da operação depende da realização do leilão da OPA, que foi suspenso e ainda aguarda a divulgação de uma nova data pela Ecopetrol.
De acordo com a Brava, a Ecopetrol precisa atualizar os documentos da oferta para atender às exigências da área técnica do órgão e informar uma nova data para a realização do leilão das ações, seguindo os prazos previstos na regulamentação.