Sócio de Vorcaro beneficiado por emenda de Efraim faz delação premiada
Acordo de João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, joga luz sobre conexões políticas do Banco Master; investigações da PF já haviam apontado que emendas do parlamentar para o PL do Carbono eram tratadas como fundamentais por aliados do banqueiro._
A Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros ligados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, ganhou novos desdobramentos políticos capazes de aproximar o cerco do Congresso Nacional. Com a delação premiada firmada pelo empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, investigadores avaliam que os esquemas de ocultação de propinas e desvio de recursos por meio de fundos da gestora podem atingir diretamente figuras com trânsito político. Mansur detalhou operações financeiras da Reag e fechou acordo com a Procuradoria-Geral da República, prevendo devolução de ativos e multa milionária, o que eleva a pressão sobre nomes investigados.
A conexão entre o esquema e o senador Efraim Filho passa diretamente por relatórios da Polícia Federal tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal. Os documentos revelam que o parlamentar apresentou emendas legislativas ao Projeto de Lei do mercado de carbono que eram tratadas como fundamentais por emissários do banqueiro. A proximidade entre as demandas legislativas e os interesses comerciais de Vorcaro no setor ambiental colocou a atuação do senador sob escrutínio rigoroso dos investigadores.
De acordo com as apurações da PF, o celular de Daniel Vorcaro continha três emendas apresentadas por Efraim em setembro de 2023 ao PL 412/2022. Cerca de um mês depois, um interlocutor ligado a um empreendimento de créditos ambientais do grupo enviou os arquivos das propostas ao banqueiro com a mensagem de que as alterações eram cruciais para o andamento do texto. Para a polícia, os diálogos demonstram o monitoramento intenso de propostas parlamentares por pessoas ligadas aos negócios do Master.
Embora o relatório policial não aponte contato direto entre Efraim e Vorcaro nem comprove que o senador tenha enviado os documentos por conta própria ao banqueiro, o achado revelou que as mudanças propostas no Senado eram acompanhadas de perto como parte dos interesses econômicos do grupo investigado. As investigações sobre as articulações em torno do projeto de créditos de carbono surgiram no bojo de apurações mais amplas sobre a influência do banco em tramitações legislativas em Brasília.
Com o avanço das colaborações premiadas na Operação Compliance Zero e a análise contínua de dados telemáticos apreendidos com executivos do Banco Master, autoridades avaliam que novas fases poderão esmiuçar o papel de agentes políticos beneficiados pelo esquema. A homologação da delação de Mansur no STF é vista como o estopin para que o foco das autoridades recaia de vez sobre os parlamentares cujas propostas legislativas coincidiam com os interesses comerciais do conglomerado financeiro.
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